COLEGIO ESTADUAL QUILOMBOLA 03 DE MAIO

PROJETO RESGATANDO SUAS RAÍZES: MEMORIAL BREJÃO DOS NEGROS

Tema: Iniciação Cientifica Tipo: Iniciação Cientifica
O povoado Brejão dos Negros está localizado a leste da sede do município de Brejo Grande e a 130 km da capital Aracaju, seguindo pela BR 101 norte ( sentido Maceió) e a SE 306. O Brejão é o maior povoado da região, com cerca de 3 mil habitantes é cercado por afluentes que desaguam na Foz do São Francisco. Este local é apontado como possuidor de uma das mais belas paisagens do litoral nordestino. Sua economia é baseada na cultura do coco, arroz, pecuária e turismo. As fontes orais locais consideram uma melhoria no comércio com relação aos anos anteriores. A instalação das empresas Petrobrás e da Vale do Rio doce na região vem movimento consideravelmente a economia local contribuindo para a recuperação do comércio e atentando para novos olhares sobre os recursos minerais bem como atrativos turísticos. O pesquisador e Historiador da Universidade Federal de Sergipe Mauricio Neves, ao desenvolver estudos sobre a região, considera que "a colonização em Brejão surgiu de forma espontânea, as pessoas atraídas pelas terras férteis foram chegando de diversos lugares e povoando a localidade. No entanto, apesar dessas teorias, por volta de 2005 o pároco Isaías Carlos Nascimento reuniu 17 pessoas da população local em sua casa paroquial e apresentou um documento requerendo o reconhecimento desta região como quilombola. Após recolher cinco assinaturas dos dezessete ali presentes, o documento foi enviado a Fundação Cultural Palmares. E a instituição que é vinculada ao Ministério da Cultura (Minc), atestou o reconhecimento”, Apesar de tal legitimação por parte da Fundação Cultural Palmares, surgiram a partir desse momento novas pesquisas, tanto antropológicas como histórico-geográficas abrindo leques teóricos sobre o eventual quilombo. O reconhecimento também dividiu a o povoado bem como os povoados vizinhos, cujo território também consta dentro das demarcações previstas, fazendo com que as raízes históricas dos negros da região fossem questionadas pelos próprios habitantes negros. Dentro deste contexto esconde-se um considerado arcabouço cultural, onde a cultura negra aparece como algo folclórico e pouco palpável uma vez que ela se restringe a um grupo formado por poucos moradores. Tal grupo carrega a responsabilidade de representar de maneira folclórica as danças consideradas como representações indentitárias da localidade Brejo Grandense. Essas apresentações folclóricas estimulam a preservação da memoria local. No entanto, há carência de continuadores desses grupos de danças locais apesar do esforço da associação quilombola em manter a tradição. Também não há nessa localidade um local onde pode-se ter acesso a memória social que identifique a comunidade como Quilombola. Os materiais históricos encontram-se espalhados entre famílias tradicionais e outros símbolos estão em ruínas sem nenhum tratamento de conservação. Não há na região um tratamento especializado aos objetos de representação histórico local como praças, monumentos, utensílios e material fotográficos. Também há carência de documentos que tratem da temática quilombola, o que corrobora para os desentendimentos entre a população. Diante das problemáticas expostas acima, se observa que a comunidade local uma vez dividida, também apresenta opiniões culturais distintas. De um lado o que é do negro africano parece ser coisa do passado, algo com pouca funcionalidade dentro de uma cultura urbana voltada a modernidade, onde passado e modernidade não dialogam. Esse processo de aculturação emblema as discussões de reconhecimento e identidade onde o maior foco deste debate norteia questões como aceitação e reconhecimento identitário. Por esse viés, se faz necessário a interferência de um trabalho educativo que permita um conhecimento, ou o reconhecimento de sua história. É preciso levar a comunidade a conhecer-se enquanto sujeitos ativos no processo de construção histórica, bem como compreender-se dentro do dinamismo social, possibilitando compreender, refletir e agir dentro de sua localidade por meio do contato direto com essa realidade.
Coordenação: ROSANE GUEDES DA SILVA